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Guia

Medidas antigas do Brasil

Antes de o Brasil adotar o sistema métrico, a terra, o pano e a estrada se mediam em léguas, braças, varas e palmos — o sistema português herdado da colônia. Essas unidades sumiram dos rótulos, mas ainda aparecem em escrituras antigas, em documentos de sesmarias, em expressões ("estava a léguas de distância") e na boca de quem lida com terra no interior. Este guia mostra quanto cada uma vale em metros e de onde elas vêm.

A tabela das medidas lineares

O sistema português de comprimento era construído a partir do palmo (a largura de uma mão aberta, padronizada em 22 cm). Tudo o mais era múltiplo dele:

Unidade antiga Equivale a Em metros
Palmo 0,22 m
12 polegadas / 1½ palmo 0,33 m
Côvado 3 palmos 0,66 m
Vara 5 palmos 1,10 m
Braça 10 palmos / 2 varas 2,20 m
Légua (de sesmaria) 3.000 braças 6.600 m

Estes são valores de referência do padrão luso-brasileiro. A légua, em especial, teve várias definições ao longo da história (a légua métrica valia 6.000 m; a "de sesmaria" ou legal, 6.600 m) — ao ler um documento antigo, confirme de qual légua ele fala. A polegada portuguesa antiga valia 2,75 cm (um oitavo do palmo), diferente da polegada inglesa de 2,54 cm que usamos hoje em polegada em mm.

As medidas de terra: alqueire, tarefa e braça quadrada

Para área, o sistema antigo deixou a herança mais viva — e mais traiçoeira — do Brasil rural: o alqueire, que muda de tamanho por região (2,42 ha em São Paulo, 4,84 ha em Minas, 19,36 ha na Bahia), além da tarefa (Nordeste) e da braça quadrada. Como esses valores variam de estado para estado e ainda são usados em negociação de terra, eles têm conversor próprio, com seleção de região: veja medidas agrárias e o conversor agrário.

Vale lembrar que "alqueire" também já foi medida de volume de grãos (a quantidade de semente que se plantava numa certa área) — daí o nome ter virado medida de terra. E na pecuária, a arroba (15 kg) segue firme até hoje para pesar boi; é a única medida antiga ainda corrente no comércio, e está no conversor de peso.

Por que elas desapareceram

O Brasil adotou o sistema métrico decimal em 1862, pela Lei Imperial nº 1.157, assinada por D. Pedro II, com um prazo de transição que se estendeu pelos anos 1870. A motivação era a mesma do resto do mundo: acabar com a confusão de medidas que mudavam de cidade para cidade e travavam o comércio. O metro, decimal e único, substituiu o emaranhado de palmos e braças locais.

A troca foi tão profunda que hoje soa estranho pensar em comprar tecido "por côvados". Mas as unidades antigas deixaram marcas: no tamanho dos lotes de cidades históricas (medidos em braças), nas escrituras de propriedades rurais e no próprio alqueire, que resiste no campo. Para entender a diferença entre o métrico e o outro grande sistema vivo, o imperial, veja sistema métrico × imperial.